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acossado

mas, as pedras continuam rolando pelo meio do caminho já se sentiu assim? em movimentos vagos entre o não e o sim uma ultima sessão de cinema um café esfriando que não pode esperar. um sistema falido que anda em círculos porém nunca fica tonto. as engrenagens do tempo tictactictacticatactictactictictac se atrasam,não se enganam se atraem, não se amam

SUBO SÓ

NA ESCADA SEM DEGRAUS SUBO COMO RABISCO UM SOPRO NO AR QUE BRISAM OS CABELOS QUE AMASSAM MEUS DEDOS CONTRA TEU TRAVESSEIRO O CORAÇÃO É INCERTO RETRATO DE QUEM O ABRIGA BATE,FALHA,BATE,FALHA,BATE,FALHA,BATE,FALHA NO ASFALTO DEIXO UM PASSO MAS LEVO OUTRO ESCORREGO PELAS RUAS E AVENIDAS NÃO POR SINA ,DESTINO MAS POR QUE ASSIM ME PARECEU MAIS SENSATO
Mais uma chuva daquelas,sempre ficava assustada com os temporais,mas gostava da sensação de chegar em casa cansada e molhada tirar os sapatos encharcados e tomar um banho quente e dessa vez não seria diferente quase chegava seu ponto e pensava em cada detalhe de seu caminho entre o ponto de ônibus e a porta de casa. O ônibus parou um pouco a frente do ponto para evitar uma poça mal colocada,ela saltou e já sentiu os pingos grossos daquela chuva de inverno atípica. Bailou por entre as poças e alcançou a padaria já cheia mas sem filas pois os clientes eram poucos , a maioria eram desabrigados esperançosos de que a chuva parasse logo. Pediu seu pão e 100 gramas de queijo ,pagou com as moedas que se acumulavam nos cantos de sua bolsa. A chuva molhava as pessoas ,os carros molhavam as pessoas , o suor também . O travesseiro já quase sem fronha ,a geladeira sem luz,o jornal sem os classificados,os fósforos molhados em cima da pia o cd virado para cima ao lado do som,os olhos piscando na f...
Por minutos absorto na sua sempre duvida entre qual filme alugar, decidiu-se dessa vez por um classico meio dramalhao meio faroeste. Deixou as duvidas e o ar condicionado para tras e começou a descer a enorme ladeira que por vezes era motivo de atraso nas devoluçoes,colocou o volume de seu walkman no maximo para tentar abafar o barulho da britadeira que trabalhava sem parar em um balanço unico e ritmado onde ja nao se sabia mais onde terminava o homem e começava a maquina.Finalmente chegava ao fim a ladeira e levava junto suas arvores de copas altas deixando caminho livre para os raios do sol invadirem por completo a calçada,pensou em tomar um suco de laranja ou comprar o jornal,tropeçou em um saco plastico ,pensou em andar mais rapido. Caminhava sempre cauteloso quando passava por edificios de muitos andares , tinha medo de ter um tipo de azar muito peculiar onde algum vaso de planta o atingisse em cheio ou quem sabe um parafuso do decimo sexto andar com certeza fatal se perfura...
Deixou o bilhete na mesa e saiu. caminhou sem olhar para os lados,veloz e cauteloso, procurando sempre uma sombra na calçada e cada pequena fuga possivel entre um passo e outro ,tentando sempre aperfeiçoar seu talento de mergulhar dentro de si e ficar imune aos barulhos e outras açoes inoportunas de sua volta. Disse que sim,mas na verdade era nao, era a fumaça nos olhos que irritava era estar preso sem ter culpa que o entristecia mas na verdade era culpado,culpado por nao fazer nada em relaçao a estar preso mas o que podia fazer, mal nasceu e ja estava dependente de certos vicios nada naturais , nada sem uma segunda intenção. POIS BEM , Tirou os sapatos e finalmente pisou na areia quente, patinetes,patinetes, férias, outono e tudo aquilo que vinha sem querer ou sem motivo aparente.